Bruxas, Judeus, Centeio Louco e Beldades de Veneza: Destinos e Perdas de uma Memória Europeia de Drogas Esquecidas

  • Filipe Nunes Vicente Instituto Superior Miguel Torga

Resumo

O autor considera que o abuso de substâncias psicoactivas diz mais respeito à história dos povos e das culturas do que ao conhecimento científico, sendo óbvio que as consequências da intoxicação serão sempre território de avaliação clínica. No entanto o autor ilustra com a memória da cultura europeia medieval e renascentista o equívoco de que ervas, poções e drogas misteriosas podem proporcionar a alguém uma alucinação interessante, mas decerto não conseguem fazer o indivíduo voar como uma bruxa. Assim, a condenação e a perseguição atingiram, na Idade Média e Renascença, curandeiros, médicos e simples curiosos, apenas porque essas pessoas tinham um contacto demasiado íntimo com as substâncias proibidas. O que é verdadeiramente notável, porém, é que as drogas referidas já eram conhecidas da cultura e medicina popular europeia muito antes de se tornarem suspeitas.

Summary

The author states that psychoactive substance abuse is more a matter of cultural experience than a scientific issue. The consequences of intoxication, doubtless, may and should be accessed from a medical standpoint, but the author appeals to the memory of ancient european culture to illustrate the misleading bias of drug use. Herbs, plants and ointments could lead someone to a halucinatory experience, but they would be unable to make him or her fly like a witch. Thus, damnation and persecution were directed, during the Renaissance and the Middle Ages, against doctors, healers and herbalists only because they were too close to the forbidden substances. What is remarkable, however, is that most of the drugs involved were well known by european culture, long before they become suspicious.

Publicado
2002-10-31
Como Citar
[1]
Vicente, F. 2002. Bruxas, Judeus, Centeio Louco e Beldades de Veneza: Destinos e Perdas de uma Memória Europeia de Drogas Esquecidas. Interações: Sociedade e as novas modernidades. 2, 3 (Out. 2002).
Edição
Secção
Artigos