As Funções da Afectividade e suas Relações Dialécticas com a Inteligência

  • Jorge Caiado Gomes

Resumo

As relações dialécticas entre a afectividade e a inteligência, termos, simultaneamente, antagónicos e complementares na formação do conhecimento, constituem uma questão persistente na história do pensamento filosófico e científico ocidental. Este artigo conduz a análise ao longo de um encadeamento historicamente orientado entre a filosofia grega, Descartes, Hume, Kant, Piaget e os filósofos contemporâneos das teorias do caos e da complexidade. A afectividade é tradicionalmente encarada como o caos, paixão, irrealidade e desequilíbrio, por oposição à racionalidade e procura de equilíbrio da inteligência. A filosofia conseguiu, de alguma forma, lidar melhor do que a ciência com o irracional na dialéctica entre as funções da afectividade e a inteligência. A função da afectividade é conduzir em direcção à irrealidade, ao fantástico, à criação de novos significados; não uma desordem que destrói, mas uma desordem criadora, geradora de novos sentidos. Esta visão da ordem a partir do caos conduz hoje a novas perspectivas acerca das funções da afectividade e do papel indispensável que a sensibilidade representa no conhecimento, por influência dos paradigmas da complexidade e da contingência nas práticas analíticas contemporâneas (quantum de energia, ruído e caos, informação, informática) e a complementaridade entre fenómenos desordenados e fenómenos organizadores.

Summary

The dialectical relations between affectivity and intelligence, terms which are at the same time opposing and complementary in the formation of knowledge, are a persisting question in the history of western philosophical and scientific thought. This article guides the analysis along a historically oriented enchainment between Greek philosophy, Descartes, Hume, Kant, Piaget, and the contemporary philosophers of chaos and complexity theories. Affectivity is traditionally regarded as chaos, passion, irreality and unbalance, in contradistinction to rationality and the search for balance in intelligence. Philosophy has managed, to a certain extent, to deal better than science with the irrational in the dialectics between the functions of affectivity and intelligence. The function of affectivity is to lead towards irreality, to the fantastic, to the creation of new meanings; it is not a disorder that destroys, but a disorder that creates, generating new paths. This view of order based on chaos leads today to new perspectives with regard to the functions of affectivity and the essential role that sensitivity represents in knowledge, through the influence of paradigms of complexity and contingency in contemporary analytical practises (energy quantum, noise and chaos, information, informatics), and the complementarity between disordered phenomena and organizatory phenomena.
Publicado
2001-10-27
Como Citar
Gomes, J. (2001). As Funções da Afectividade e suas Relações Dialécticas com a Inteligência. Interações: Sociedade E As Novas Modernidades, 1(1). Obtido de https://interacoes-ismt.com/index.php/revista/article/view/15
Edição
Secção
Artigos